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Animê e Mangá


2006-03-30

Reflexão

Hoje de manhã eu acordei cansado como sempre acordo.

No espelho do banheiro, um cara de rosto inchado me encarava. Tinha os olhos vermelhos e o ar cansado.

Olhei em seus olhos e perguntei: Você realmente acredita na nossa semelhança com os deuses?

Ele não respondeu. Apenas franziu a boca com desdém e começou a escovar os dentes.

Mais um delírio inútil postado às 23:41


2006-03-21

A Lua negra

Há vezes em que os dias despencam sobre mim com a força de uma avalanche descendo a encosta e me arrastando para as profundezas sombrias da minha alma.

Nessas horas, eu abro as minhas asas e alço vôo. Eu sou a águia, que só encontra refúgio no incomensurável vazio da solidão.

Mais um delírio inútil postado às 13:51


2006-03-18

Interno

"Durante um ano da lua, fui declarado invisível."
      - A Loteria de Babilônia, Jorge Luís Borges



Sou um espectro, vagando entre mundos aos quais não pertenço por inteiro.

Passo entre os vivos arrastando minhas correntes. Eles me vêem, me ouvem, mas não podem me tocar.

Sou uma alma apenada.

Cumpro meu tempo em regime fechado em meio à multidão.

Mais um delírio inútil postado às 10:41


2006-03-11

Tempos estranhos

...A vida anda louca
As pessoas andam tristes
Meus amigos
São amigos de ninguém

     - Onde deus possa me ouvir - Vander Lee

Mais um delírio inútil postado às 19:37


2006-03-07

Um Aroma de rosas

Por muito tempo ele esteve calado, fitando algum ponto distante lá fora, que ela, já se inquietando, não conseguia enxergar.

Me diga uma coisa, ele perguntou, voltando-se para ela, Eu estou perdendo você?

A mão dele acariciava a dela, branca e delicada.

Eu não sei... Os olhos dela eram sinceros, mas buscaram o nada distante que ele olhava há pouco. Eu estou confusa...

Ela pensou ainda em dizer muita coisa. De como havia noites sem dormir, de como estava partida por dentro, das folhas de caderno que enchia com palavras carregadas de dor e paixão, de como era bom estar com ele. Mas sentiu de repente que ele estava dando a maior prova do seu amor. Que no seu mais íntimo, o que ele queria é que ela fosse feliz. E por isso calou-se.

Ficaram ainda muito tempo calados e se amaram em silêncio.

E aquela foi a última noite em que foram felizes juntos.

Mais um delírio inútil postado às 23:33


2006-03-01

O Ar da noite

É, amigo velho, agora só o que salva é o desejo...

Nessa hora em que a gente olha para o quintal e vê que o que ficou foram as folhas secas e a lembrança das rosas que não foram colhidas, não resta mais do que se apegar à velha esperança.

E, mesmo que a gente saiba que dela também não resta muito, é a esse frágil fio que a gente confia o peso do nosso sofrimento.

Teimosamente, nos recusamos a tirar a trave do olhos, para não enxergar o abismo que se fez entre o que somos e o que pensamos ser.

É, amigo velho, dizia o Carlos: "São tão fortes as coisas!", e como ele eu também me revolto por não sê-las.

Mas cala-te, espera, decifra. Pois só o desejo salva.

E o ar da noite está aí.

É pouco mas basta.

Mais um delírio inútil postado às 21:13


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