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Animê e Mangá


2005-03-21

A Dor

As nuvens estavam gordas e escuras. Andavam lentas pelo céu, onde uma tensão inexplicável parecia fazer o ar crepitar.

Um flash de relâmpago iluminou o mundo, mas foi um som de montanhas desabando que rompeu a calma que já estava por um fio.

Respondendo ao trovão, as nuvens se romperam e fizeram descer uma água grossa e ruidosa que rolou pelas ruas e molhou as casas e escureceu ainda mais o dia.

Aquele choro rasgado durou muitas horas e, quando por fim se desfez numa chuvinha rala e simpática, fez surgir um mundo novo, limpo, de alma lavada, sem pecados nem crimes.

Mais um delírio inútil postado às 08:19


2005-03-20

Farpa II

E eu, que havia esquecido que a saudade doía tanto quanto uma farpa embaixo da unha...

Mais um delírio inútil postado às 02:01


2005-03-18

Farpa

E eu, que havia esquecido que uma farpa embaixo da unha doía tanto...

Mais um delírio inútil postado às 08:36


Flashes III

Acordei naquela manhã de domingo ainda sentindo os efeitos do álcool da noite anterior.

Era uma manhã estranha, tinha cara de cedo quando eu sabia que já era tarde. Abri a janela pra sentir o ar daquela manhã esquisita.

Haviam desviado o trânsito da rua principal e agora eu tinha uma parada de ônibus bem em frente à minha janela. Foi lá que eu vi a menina mais bonita do mundo.

Ela estava sentada em um batente e tinha os olhos meio apertados, como se tivesse levantado cedo demais, mas isso lhe dava um ar blasé muito interessante. A certeza que tive de que ela era a menina mais bonita do mundo foi tão certa que em nenhum momento duvidei disso.

Ela era ainda bem jovem, devia ter uns 14 anos, e ao contemplá-la me veio de algum lugar da alma uma tal melancolia, uma saudade ancestral, um sentimento tamanho, que por pouco não me trouxe lágrimas aos olhos

Mais um delírio inútil postado às 02:11


2005-03-15

Motivação II

Um disse:

Eu sou um erro da natureza. Nem devia ter nascido. Se era pra me trazer para esse mundo de insanos, como disse Shakespeare, que pelo menos eu viesse normal, um mais entre tantos. Mas não, tinha que vir ao mundo esse aleijão físico e moral.

E o outro, lembrando Marlos Ápyus:

Tu é fresco, é?

Mais um delírio inútil postado às 00:24


2005-03-14

Motivação

Acho que a minha paciência tinha se esgotado, porque eu perguntei: Se a sua vida é tão bosta assim, por que você continua vivo?

Perguntei como quem apenas quer pôr um ponto final numa história que se arrasta; nunca me passou pela cabeça lhe sugerir a saída do suicídio.

Porque eu quero mostrar pra ela que eu sou mais forte, respondeu. Porque eu quero que a vida saiba que eu não me deixei abater por suas vilezas. Porque, apesar de me terem sido negados desde o início o prazer da vitória, o gozo do bem-estar, a normalidade da vida, o caminho limpo, o simples dia-a-dia, a felicidade enfim, eu não segui o curso que a vida me impôs.

Eu não me rendi. Eu sou uma piada da vida, mas existindo eu escarneço dela. Morto, eu não sirvo pra nada. Sou uma lembrança que evanece. Mas vivo eu mostro pra vida sua única fraqueza. Eu lhe tiro o prazer maior que é decidir o destino de cada um. Eu sou a pilhéria viva, o escárnio vivo.

Eu vivo por vingança. E me apegarei a cada gota de alma que ainda houver; lutarei por cada segundo a mais que puder viver; morrerei quando já não me restar a menor chance de sobrevivência.

Eu quero morrer rindo o riso amargo da vingança. Essa será a minha única vitória.

Mais um delírio inútil postado às 12:54


2005-03-11

Confiteor

Confiteor Deo omnipotenti et vobis, fratres:
quia peccavi nimis cogitatione,
verbo, opere et omissione:

  et, percutientes sibi pectus, dicunt:

mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa.

  Deinde prosequuntur:

Ideo precor beatam Mariam semper Virginem,
omnes Angelos et Sanctos,
et vos, fratres, orare pro me
ad Dominum Deum nostrum.


Do missal de Paulo VI

Mais um delírio inútil postado às 18:49


Viver para contar

"A timidez é um fantasma invencível."

- Gabriel García Marquez

Mais um delírio inútil postado às 09:09


2005-03-09

Flashes II

Final de expediente.

Desci da agência conversando com meu primo e atravessamos rapidamente o jardim para alcançar a moto que estava estacionada irregularmente na calçada.

Antes que montássemos na moto, uma visão inesperada.

Dobrando a esquina, duas colegiais surgiram de repente e passaram por nós.

A cena durou segundos, mas posso dizer que dura até hoje.

Vinham como quem vem de um treino. Camiseta, shortinho colado, cabelos molhados. As faces frescas do banho recente e aquela alegria juvenil que nos envolveu mais do que a fragrância de qualquer perfume ou loção.

Ficamos ali parados ainda algum tempo. Quando saímos, estávamos um pouco mais em paz com o mundo.

Mais um delírio inútil postado às 18:49


2005-03-08

Flashes I

Eu parei no semáforo.

Naquela rápida olhada ao redor, percebi uma menina dentro de um carro branco parado quase ao meu lado fazendo gestos em minha direção.

Era muito bonita e me lembrou uma antiga paixão; mas eu não a conhecia, embora seu rosto me fosse tão familiar.

Olhei pro outro lado, esperando ver na calçada do supermercado a pessoa com quem ela tentava falar.

Não havia ninguém lá.

Voltei-me novamente para ela e ela estava lá, batendo no vidro do carro em que estava e gesticulando como se quisesse me dizer alguma coisa.

Confuso, ameacei abrir a janela do carro, mas o semáforo já abria e eu tive que arrancar.

Nunca soube quem era, nem o que queria.

Mais um delírio inútil postado às 01:01


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