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2004-11-14

Grandes são os desertos
e as almas desertas e grandes*


Três coisas me fascinam e me apavoram.

Voar. Sempre quis voar. Admiro desde menininho os corajosos homens que perseguiram essa aventura. E que voaram. E voam.

Mas não me atrevo.

Olho com os olhos de cobiça os pequenos ultraleves que vão buscar nas alturas paisagens que eu nunca verei. Leio livros. Saint-Exupéry, Pery Lamartine, Ernst Udet. Vejo filmes. Mas não me atrevo.

O mar. Esse imenso mar que ali está e que só às vezes vou olhar da praia.

Já me peguei olhando assombrado, enquanto as vagas quebravam nas pedras ruidosamente e ao longe eram de um negrume apavorante, que me evocava a indizível coragem dos portugueses que aqui vieram ter.

Mas também não me atrevo. Meu contato com o mar é à distância. Nos livros. Nos filmes. Nos meus sonhos.

Quando adolescente, fiz um desses "testes de personalidade" que eram comuns entre a gente da minha idade. Diante da ilustração do mar, escolhi as palavras: vastidão, mistério, medo.

O mar representava a vida.

*Verso do poema Grandes, de Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa.

Mais um delírio inútil postado às 18:13


2004-11-09

Saudade

"A noite é princesa caída por mim
No lago do peito, secreta solidão
Eu lembro lugares, pessoas que freqüentei
Cenas que vi, filmes que eu já filmei

Apareça qualquer hora agora
E mora no meu coração...

Eu canto donas de castelo
Não sou louco, louco não
Eu brinco de polichinelo
Com o bobo coração

Mil e um palácios de areia
Noites de sereias
Eu ouço o som
de uma
nota


Eu sou marinheiro, navego com a lua
Meu mar é a rua, amar só você
No movimento exato do olho do lince
Um raio de laser na selva do olhar

Apareça qualquer hora agora
E mora no meu coração..."


      - Gang 90, Do fundo do coração (Taciana Barros e Júlio Baroso)

Ando com muita vontade de ouvir de novo essa música. Aquele contraste bonito entre a voz de Taciana e a de Gigante Brazil...

Mais um delírio inútil postado às 21:58


2004-11-01

Trovões

Hoje de manhã muito cedo, bem antes do rádio-relógio despertar, tive a impressão de poder ouvir trovões rolando à distância.

Esses sons imaginários me despertaram a nostalgia de outros tempos. Tempos felizes.

Infelizmente, chove muito pouco por aqui. E é preciso que se passem anos, antes que se possa ouvir trovões distantes...

Mais um delírio inútil postado às 06:23


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