Grandes são os desertos
e as almas desertas e grandes*
Três coisas me fascinam e me apavoram.
Voar. Sempre quis voar. Admiro desde menininho os corajosos homens que perseguiram essa aventura. E que voaram. E voam.
Mas não me atrevo.
Olho com os olhos de cobiça os pequenos ultraleves que vão buscar nas alturas paisagens que eu nunca verei. Leio livros. Saint-Exupéry, Pery Lamartine, Ernst Udet. Vejo filmes. Mas não me atrevo.
O mar. Esse imenso mar que ali está e que só às vezes vou olhar da praia.
Já me peguei olhando assombrado, enquanto as vagas quebravam nas pedras ruidosamente e ao longe eram de um negrume apavorante, que me evocava a indizível coragem dos portugueses que aqui vieram ter.
Mas também não me atrevo. Meu contato com o mar é à distância. Nos livros. Nos filmes. Nos meus sonhos.
Quando adolescente, fiz um desses "testes de personalidade" que eram comuns entre a gente da minha idade. Diante da ilustração do mar, escolhi as palavras: vastidão, mistério, medo.
O mar representava a vida.
*Verso do poemaGrandes, de Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa.
Mais um delírio inútil postado
às 18:13
2004-11-09
Saudade
"A noite é princesa caída por mim
No lago do peito, secreta solidão
Eu lembro lugares, pessoas que freqüentei
Cenas que vi, filmes que eu já filmei
Apareça qualquer hora agora
E mora no meu coração...
Eu canto donas de castelo
Não sou louco, louco não
Eu brinco de polichinelo
Com o bobo coração
Mil e um palácios de areia
Noites de sereias
Eu ouço o som
de uma
nota
só
Eu sou marinheiro, navego com a lua
Meu mar é a rua, amar só você
No movimento exato do olho do lince
Um raio de laser na selva do olhar
Apareça qualquer hora agora
E mora no meu coração..."
      - Gang 90, Do fundo do coração(Taciana Barros e Júlio Baroso)
Ando com muita vontade de ouvir de novo essa música. Aquele contraste bonito entre a voz de Taciana e a de Gigante Brazil...
Mais um delírio inútil postado
às 21:58
2004-11-01
Trovões
Hoje de manhã muito cedo, bem antes do rádio-relógio despertar, tive a impressão de poder ouvir trovões rolando à distância.
Esses sons imaginários me despertaram a nostalgia de outros tempos. Tempos felizes.
Infelizmente, chove muito pouco por aqui. E é preciso que se passem anos, antes que se possa ouvir trovões distantes...