Lolita, luz de minha vida, fogo de meus flancos. Meu pecado, minha alma. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca, para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta.
        - Lolita (Vladimir Nabokov)
Quando Joana Carda riscou o chão com a vara de negrilho, todos os cães de Cerbère começaram a ladrar
        - A jangada de pedra (José Saramago)
Se quiserem mesmo ouvir o que aconteceu, a primeira coisa que vão querer saber é onde eu nasci, como passei a porcaria da minha infância, o que os meus pais faziam antes que eu nascesse, e toda essa lenga-lenga tipo David Copperfield, mas, para dizer a verdade, não estou com vontade de falar sobre isso.
        - O apanhador no campo de centeio (J. D. Salinger)
Chamai-me Ismael. Faz alguns anos - não importa quantos, precisamente -, tendo na bolsa escasso ou nenhum dinheiro e nada que particularmente me interessasse em terra, achei que devia velejar um pouco e ver a parte aquosa do mundo.
        - Moby Dick (Herman Melville)
Uma manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Gregor Samsa deu por si na cama transformado num gigantesco inseto.
        - A metamorfose (Franz Kafka)
(Em Lolita eu misturei as duas traduções brasileiras. Ficou melhor assim)
Mais um delírio inútil postado
às 13:18
2004-04-06
O idiota
Eu sempre fui um sujeito estranho.
Ainda pequenininho, nos braços de minha mãe, costumava fitar longamente as lâmpadas -com o alheamento de um autista-, enquanto ela realizava suas tarefas domésticas.
Mais tarde, desenvolvi uma insônia desnaturada que transformava as minhas noites em inquietos encontros com a solidão e o abandono.
Por volta dos 10 anos, passei a lidar com idéias suicidas, sempre descartadas com um racionalismo insensato, calcado em idéias espirituais. Queria muito não ser eu mesmo, mas viver uma outra vida.
Na adolescência, criava mil mundos, nos quais vivia intensamente das mais banais experiências aos sonhos mais extravagantes.
Ainda hoje sonho com seres de outros mundos.
E sempre -sempre- mantive longos diálogos comigo mesmo. Monólogos interiores que encheriam páginas e páginas e páginas se fossem escritos.
Eu nunca fui normal.
Muitas vezes me peguei pensando que a única coisa que eu queria de verdade era ser normal. Apenas normal.
Mas nunca me convenci de que agüentaria o tédio de sê-lo.