Blog Djabo
eh 10?

Blog Vendo
Animê e Mangá


2004-01-31

A hora

A lua crescia assustadoramente lá fora. Uma enorme bola amarela que ficava ainda mais estranha com aquela aura enevoada no céu.

Lá dentro o telefone tocava insistentemente.

Tudo fazia sentido naquela hora, mas havia algo que não se encaixava. Pelo menos ainda não.

- Eu não estou pronto...

Mais um delírio inútil postado às 10:40


2004-01-22

Lance

Ela chegou de bicicleta e parou na boca da rua. Vestia uma blusinha cor de bronze e uma minissaia de linho cru.

Parou e desceu da bicicleta pra ajeitar a calcinha com aquele estalinho que é um dos gestos mais femininos que conheço. Nem olhou pra mim.

Pensei: Isso é roupa pra se andar de bicicleta? Será que essa doida vai montar na bicicleta aí, na minha frente??

Não montou.

Antes deu uns passinhos e chegou ainda mais perto. Olhando para o outro lado da rua, pra ver se vinha carro, desceu o pedal esquerdo com o pé, se apoiou no pé e sentou no selim. Ainda olhando a rua, subiu o pé direito pra pisar no pedal e sair.

Mostrou tudo. Uma linda calcinha vermelha, da frente até o começo da bunda. Ficou toda aberta enquanto pisava forte e saía pedalando sua bicicleta rua afora.

Deu pra ver até os detalhes da costura da calcinha.

Todo o tempo, não me olhou uma vez sequer. Me senti insignificante.

Mais um delírio inútil postado às 18:59


2004-01-19

Minha dor barroca

"Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente"

     - Luís de Camões

Eu fico querendo saber em que momento ela deixou de gostar de mim. Não digo "de me amar" porque durou tão pouco tempo que é difícil dizer se tudo não passou de um momento seu de fraqueza e desamor.

Passo as noites repassando na memória as conversas, os toques de mãos, as palavras trocadas. Fico revendo gestos, olhares; tentando pegar aquilo que na hora não percebi, numa busca inútil por aquele momento fatal em que o vento do seu sentimento mudou de direção.

Eu sei muito bem que ela não era mulher pra mim. Mas, de fato, em algum momento, eu representei alguma coisa pra ela. E, infelizmente, eu não percebi. Minha máxima culpa! Eu via que ela não estava bem e nunca perguntei o motivo. Vi que seus olhos andavam opacos, que ela chegava de cara triste, indormida, e não quis saber por quê.

Pois foi ali, enquanto acabava uma relação, que o coração dela me viu.

Quem pode entender essa química incompreensível do amor, que, de repente, nos faz desejar tanto aquele que há pouco era apenas um amigo; alguém que apenas estava ao nosso lado? Eu perdi o momento. Preferi não acreditar que estivesse acontecendo... Não comigo. Todos aqueles olhares, o toque macio de suas mãos, o hálito quente junto ao meu rosto, a voz gentil... Não.

Mil vezes idiota, eu não acreditei que ali se abria uma porta para mim. Uma porta que eu não sei aonde levaria, mas que eu tinha a obrigação de experimentar.

Mas, quando isso ficou claro pra mim, quando os seus olhos foram mais eloqüentes; quando enfim eu me dei conta do que se passava, fui eu que adoeci. Eu, que achava que meu coração esfriara, me vi de novo doente. Me vi apanhado nesse sentimento barroco, que mata sem ferir, que fere sem doer.

E foi mais ou menos aí que ela deixou de gostar de mim...

A porta fechou. E eu fiquei do lado de fora, remoendo as lembranças, querendo entender como pôde ter sido tão rápido. Eu e essa dor que é boa e má ao mesmo tempo. Eu e a minha dor.

Mais um delírio inútil postado às 19:55


2004-01-14

Sei lá

Toda vez que eu olho nesses seus olhos,
me dá uma vontade,
sei lá,
de beijar sua boca.

Mas é como se,
sei lá,
eu fizesse algo errado ao beijar você
e, sei lá,
todo mundo me olhasse.

Mas, também,
sei lá se você queria que eu beijasse você
como tenho vontade...

Eu só sei que eu quero beijar você
e sei lá se é certo
ou se é errado...

Mas certo ou errado,
pouco me importava
se você,
sei lá,
também me quisesse.

Toda vez que eu olho nesses seus olhos,
eu peço a você,
sei lá,
que também me queira.

Mais um delírio inútil postado às 00:44


Pra voltar no tempo
Site do 

Blogger Brasil