Infeliz Natal
É o meu lençol, é o cobertor,
É o que me aquece sem me dar calor.
Se eu não tenho o meu amor
Eu tenho a minha dor
- De mais ninguém (Marisa Monte/Arnaldo Antunes)
Eu nunca me matei no Natal e acho que não vou me matar neste também, apesar dos jornais dizerem que é o tempo mais propício aos suicídios.
Sinto, porém, que os meus natais de hoje não terão nunca o brilho dos tristes natais de minha infância. Ou o dos felizes natais da adolescência.
Sinto que sou eu que ando meio vazio por dentro. Ou meio cheio. É... acho que estou cheio da solidão e da frustração. Eu sou pedra e sobre mim se ergue uma catedral de desejos insatisfeitos.
Mas eu sou pedra e vou agüentar mil natais. Eu sou forte, porque, como canta o poeta, tenho algo que ninguém mais tem, tenho algo que é só meu: eu tenho a minha dor.