Tive uma infância atormentada. Espremida entre a pobreza e a vontade de possuir todos aqueles sonhos coloridos e luminosos que só estavam ao alcance das minhas mãos nas lojas de departamento. E apenas lá. Chorava escondido minha impotência diante daquele mundo cruel.
Hoje sou mais tranqüilo. Fui crescendo e descobrindo valores muito mais valiosos do que todas aquelas peças plásticas, mecânicas, sonoras e caras; valores como o prazer de pensar por mim mesmo e um sentido quase platônico de honra.
Não tenho uma vida ascética. Meu crescimento como pessoa também me abriu as portas para o conforto material, mas já não desejo muito mais que tenho. Meus valores -valores de um louco, pode ser- me trazem conforto espiritual. E a minha busca são por outros prazeres que não a fugaz posse material.
Posso não ser feliz, mas hoje ninguém me leva aonde eu não quero ir. E já não tenho medo da chuva nem do escuro.
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às 21:04
2003-09-23
AGED 12 YEARS
"Em seguida, no escuro,
embora ninguém o veja,
sorri." - Dino Buzzati - O Deserto dos Tártaros
Tu escorres
sobre as pedras
E o teu calor,
ocupando os espaços gelados,
vai enchendo lentamente
o vazio do copo.
- Essa eh outra das poesias sem futuro q fazem parte do weblivro Eu e outras bobagens...
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às 22:01
2003-09-12
Fogo no céu III
A forma em que eles vieram não foi de disco, charuto ou lentilha.
Eles abriram um portal no céu. Uma imensa janela de moldura branca para entrar em nosso mundo. Foi assim que eles não nos assustaram.
Eu sei, porque eu vi.
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às 11:40
2003-09-11
Quatro meninas
Tem quatro meninas
no meu coração,
mas duas são comprometidas,
e duas são novas demais.
As quatro são muito bonitas,
mas duas são mais kawaii.
Duas me deixam louco,
as quatro me deixam em paz.
Duas se fazem de bobas,
duas me fazem sonhar.
As quatro me fazem de bobo,
as quatro fingem me amar.
- Essa eh uma das poesias do weblivro Eu e outras bobagens, q qq dia vou expor à execração pública na minha HP.... :P
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às 23:30
2003-09-03
Amores frustrados
Muita gente já se encontrou diante do dilema carreira X amor. Muita gente já escolheu uma carreira de sucesso no lugar da satisfação emocional. Eu conheço alguns casos.
Um amigo de um colega meu é do tipo que adora uma baranga. Como a Geni de Chico Buarque, ele prefere transar com uma mocréia sincera e mal lavada a deitar com uma princesinha linda e cheirosa. Sexo pra ele tem que ser animal, instintivo, e a cultura atrapalha.
Só que o sonho dele sempre foi a carreira jurídica. E, bacharel em Direito, é forçado a conviver com essas mulheres frias e cheias de vontades.
Outro amigo de um amigo meu é pedófilo. Pra ele os melhores empregos do mundo seriam o de pipoqueiro da Escola Doméstica ou de motorista de perua escolar. Infelizmente ele nunca pôde se dar a esse luxo (!). Culto, graduado, preferiu trocar seus desejos por uma carreira bem-sucedida.
Mais uma paixão frustrada.
A colega de uma parenta minha é médica. Sempre quis ser.
Namorou durante boa parte de sua vida com um cara que ela adorava. Ou adora. Mas ele tinha um defeito: era funcionário público, com horários certos e uma rotina um tanto certa demais. Nunca poderia se entender com as infinitas e erráticas madrugadas de plantões de uma médica.
A conclusão do curso de medicina foi também a conclusão do namoro. Hoje ela é casada com um médico. Eles não são exatamente Romeu e Julieta, mas cada um entende a ausência do outro.
Tristes histórias que nos conta nossa vida moderna, onde o amor puro parece reservado aos romances da tevê, ou, por ironia, àqueles infelizes que nada possuem, a não ser a si mesmos.